A Alma também
Casas de saúde espalham-se em todas as direções com o objetivo
de sanar as moléstias do corpo e não faltam enfermos que lhes ocupem as dependências.
Entretanto, as doenças da alma, não menos complexas, escapam aos exames habituais de
laboratório e, por isso, ficam em nós, requisitando a medicação, aplicável apenas por
nós mesmos.
Estimamos a imunização na patologia do corpo.
Será ela menos importante nos achaques do espírito?
Surpreendemos determinada verruga e recorremos, de imediato, à cirurgia plástica,
frustrando calamidades orgânicas de extensão imprevisível.
Reconhecendo uma tendência menos feliz em nós próprios é preciso ponderar
igualmente que o capricho de hoje não extirpado será hábito vicioso amanhã e talvez
criminalidade em futuro breve.
Esmeramo-nos por livrar-nos da neurastenia capaz de esgotar-nos as forças.
Tratemos também de nossa afeição temperamental para que a impulsividade não nos
induza à ira fulminatória.
Tonificamos o coração, corrigindo a pressão arterial ou ampliando os recursos das
coronárias a fim de melhorar o padrão de longevidade. Apuremos, de igual modo, o
sentimento para que emoções desregradas não nos precipitem nos desvãos passionais em
que se aniquilam tantas vidas preciosas.
Requintamo-nos, como é justo, em assistência dentária na proteção indispensável.
Empenhemo-nos de semelhante maneira, na triagem do verbo para que a nossa palavra não
se faça azorrague de sombra.
Defendemos o aparelho ocular contra a catarata e o glaucoma. Purifiquemos igualmente o
modo de ver. Preservamos o engenho auditivo contra a surdez.
No mesmo passo, eduquemos o ouvido para que aprendamos a escutar ajudando.
A Doutrina Espírita é instituto de redenção do ser para a vida triunfante. A morte
não existe.
Somos criaturas eternas. Se o corpo, em verdade, não prescinde de remédio, a alma
também.
André Luiz
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A Grande Pergunta
Em lamentável indiferença, muitas pessoas esperam pela morte do corpo, a fim de
ouvirem as sublimes palavras do Cristo.
Não se compreende, porém, o motivo de semelhante propósito. O Mestre permanece vivo
em seu Evangelho de Amor e Luz.
É desnecessário aguardar ocasiões solenes para que lhe ouçamos os ensinamentos
sublimes e claros.
Muitos aprendizes aproximam-se do trabalho santo, mas desejam revelações diretas.
Teriam mais fé, asseguram displicentes, se ouvissem o Senhor, de modo pessoal, em suas
manifestações divinas. Acreditam-se merecedores de dádivas celestes e acabam
considerando que o serviço do Evangelho é grande em demasia para o esforço humano e
põem-se à espera de milagres imprevistos, sem perceberem que a preguiça sutilmente se
lhes mistura à vaidade, anulando-lhes as forças.
Tais companheiros não sabem ouvir o Mestre Divino em seu verbo imortal. Ignoram que o
serviço deles é aquele a que foram chamados, por mais humildes lhes pareçam as
atividades a que se ajustam.
Na qualidade de político ou de varredor, num palácio ou numa choupana, o homem da
Terra pode fazer o que lhe ensinou Jesus.
É por isso que a oportuna pergunta do Senhor deveria gravar-se de maneira indelével
em todos os templos, para que os discípulos, em lhe pronunciando o nome, nunca se
esqueçam de atender, sinceramente, às recomendações do seu verbo sublime.
Emmanuel
A Bênção do Trabalho
É pela bênção do trabalho que podemos esquecer os pensamentos que nos perturbam,
olvidar os assuntos amargos, servindo ao próximo, no enriquecimento de nós mesmos.
Com o trabalho, melhoramos nossa casa e engrandecemos o trecho de terra onde a
Providência Divina nos situou.
Ocupando a mente, o coração e os braços nas tarefas do bem, exemplificamos a
verdadeira fraternidade e adquirimos o tesouro da simpatia, com o qual angariaremos o
respeito e a cooperação dos outros.
Quem não sabe ser útil não corresponde à Bondade do Céu, não atende aos seus
justos deveres para com a humanidade e nem retribui a dignidade da pátria amorosa que lhe
serve de mãe.
O trabalho é uma instituição de Deus.
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SENDA DE PERFEIÇÃO
Quem move as mãos no serviço,
Foge à treva e à tentação.
Trabalho de cada dia
É senda de perfeição.
Meimei |