França e no mundo e, especialmente, aprofundou em suas obras o
aspecto moral do Espiritismo.
Isso é o que deve despontar o interesse nesse grande vulto do Espiritismo; sua
obra, fruto de uma atividade contínua e infatigável, ao longo de uma existência de mais
de oitenta anos, exemplarmente vividos. Tal como Kardec, morreu trabalhando.
Servirei-me para análise da obra Vida e Obra de Léon Denis de Gaston Luce,
coleções Vidas Missionárias vol. 2 (Edicel), além dos próprios livros de Léon
Denis, lidos com paixão, notadamente por quem ama a filosofia.
A primeira grande obra de Denis apareceu em 1890 sob o título Depois da Morte. A
1ª parte do livro apresenta as grandes religiões da Antiguidade. Na 2ª parte é exposta
a filosofia espírita, e nas duas partes seguintes faz uma abordagem do mundo invisível e
sua influência no mundo encarnado. A 5ª parte é onde está colocada a grande questão e
eterna preocupação de Léon Denis, qual seja, a parte moral, sob o título O caminho
Reto, um pequeno tratado de virtude.
Neste livro, Léon Denis trata daquilo que sempre foi objeto de suas análises, o
problema do destino humano e procura solucioná-lo, explicando o porquê da vida. Tarefa
difícil, mas é nesse tópico que ele defende com convicção o Espiritismo, como caminho
de superação da angústia da razão do destino humano.
Cristianismo e Espiritismo apareceu em agosto de 1898. Léon Denis fez uma
correlação entre o Cristianismo e o Espiritismo, sendo este um delta onde deságua
aquele, abrindo, segundo Herculano Pires, as perspectivas de uma nova fase de evolução
espiritual do mundo.
Em 1903 publicou O Mundo Invisível com 500 páginas de texto. Todo adepto
escrevia na introdução deve saber que a regra por excelência das
relações com o invisível é a lei das afinidades e das atrações . . . a
experimentação, no que tem de belo e de grande, não é bem sucedida com o mais sábio,
mas com o mais digno, com o melhor, com aquele que tem mais paciência, mais consciência
e mais moralidade.
Em outro livro, O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de 1905, Léon Denis
antepõe o espiritualismo e o materialismo, numa época de negação ou afirmação
gratuitas, de uma metafísica do nada. O Espiritismo, dizia ele, fornece o meio de nos
livrar da dúvida; ele mostra a evolução do pensamento intuitivo, aparecendo a
importância de Ciência em sua plenitude, pois o meio de atingir o conhecimento só pode
ser obtido pela ciência.
Em 1911 lança O Grande Enigma: O Deus e o Universo. Segundo Denis, a existência
de Deus não se demonstra como teorema, todavia deve ser concebida. Deus é manifestado
pelo Universo, que é a sua representação sensível, contudo não se confunde com ele.
Outra faceta interessantíssima de Léon Denis se traduz na sua participação
intensa em congressos espíritas. Desde o Congresso Espiritualista Internacional de 1889
onde Denis presidiu a comissão de propaganda. Na verdade tratava-se de um Congresso
ecumênico, onde se misturavam adeptos de Kardec, de Swedenborg, cabalistas, teósofos e
os rosa-cruzes. Neste primeiro Congresso aconteceram algumas desavenças teóricas,
revelando-se Léon Denis como o mais seguro mantenedor da tese Kardecista.
Quando o Congresso Internacional de 1900 aconteceu em Paris, Léon Denis foi
nomeado presidente. Fez a sessão de abertura, onde expressou sua confiança no
Espiritualismo Moderno, embora em seu seio se defrontassem certas teses, não opostas, mas
de tendências diferentes.
Em 1905, junho, aconteceu o Congresso de Liége (Bélgica), onde Léon Denis foi
presidente de honra e já era chamado de apóstolo. Ele expressou que os congressos
deveriam ocorrer em datas mais próximas, pois ele considerava importante uma afirmação
de vitalidade dos nossos princípios e das nossas crenças(espiritualistas).
Bruxelas, de 14 a 18 de maio de 1910, Léon No Congresso Espírita Universal que
teve lugar em Denis foi convidado apenas como delegado da França e do Brasil. Nesse
Congresso, tratou-se especialmente de magnetismo, ciência psíquica e psicose. O
Kardecismo foi deixado um pouco na penumbra, segundo Gaston Luce em Vida e Obra de
Léon Denis. Léon Denis tinha então sessenta e quatro anos; e nesse Congresso ele
pronunciou um dos mais notáveis discursos: A Missão do Século XX.
Em 1913, foi a Sociedade de Estudos Psíquicos de Genebra que assumiu o encargo
de organizar o II Congresso Espírita Universal, sob presidência do Sr. Piguet, assistido
nessa função pelos Srs. Léon Denis e Gabriel Delanne.
Léon Denis constatava que a Ciência e a Filosofia, pouco a pouco assumiam
alguns conceitos espíritas. Quanto à ciência, ele critica que esta pretendia que os
fenômenos se repetissem à vontade, esquecidos de que no Espiritismo estamos tratando de
vontades livres.
Em 1925, de 06 a 13 de setembro, Léon Denis desempenhou os encargos da
presidência do III Congresso Espírita Internacional de Paris. Estavam presentes o
célebre escritor inglês Arthur Conan Doyle; o Sr. Jean Meyer, organizador do espiritismo
francês. O foco principal do Congresso foi identificar o caráter científico do
Espiritismo Experimental. Léon Denis, aos oitenta anos, fixou os pontos essenciais da
Doutrina. O que ele considerava importante era o conceito de que o Espiritismo baseia-se
na experimentação científica. Parte dos efeitos para remontar as causas, seguindo um
rumo inverso ao da revelação religiosa.
Uma doutrina baseada na Ciência e Razão, se constituirá em fé universal,
substituindo assim a fé particular das religiões reveladas, concluiu Léon.
Sob que sinal se apresenta esta nova fé? - pergunta Gaston Luce.
A fé espírita desemboca, com efeito, no amor, mas postula em primeiro
lugar o conhecimento da alma, do destino e de Deus. Não é somente fé, é um
ensinamento, é um critério que desafia a contradição - responde Denis.
Finalizando com Herculano Pires, a vida e a obra de Léon são o exemplo vivo
dessa conjugação de razão e fé que o Espiritismo realizou plenamente, na sua
extraordinária síntese espiritual.
Obtida
de http://www.espiritnet.com.br/Biografias/biogbez.htm

Hermínio Miranda
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