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O Suicídio

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O SUICÍDIO

Se o amigo ou amiga está com esse nefasto pensamento (consciente ou inconsciente), permita-me fazer-lhe algumas ponderações à luz da Doutrina Espírita.

Em primeiro lugar, queremos lembrar-lhe que somos Espíritos imortais; portanto, jamais morreremos. A morte simplesmente propicia ao corpo físico tido como morto a sua transformação em novas formas de vida. Assim, até mesmo o corpo material não se extingue, transforma-se.

Em segundo lugar, o Espírito imortal possui um outro corpo, por nós chamado de perispírito, corpo energético que preexiste ao nascimento e sobrevive à chamada morte. Através desse “corpo espiritual”, como muito propriamente o chamou o Apóstolo Paulo, o Espírito prossegue sua jornada evolutiva no mundo espiritual, aí então colhendo a semeadura de toda a plantação realizada no corpo denso.

As relações Espírito/perispírito/corpo são intensas e diretas. Corpo e perispírito (corpo espiritual) nada mais são que instrumentos do Espírito. Mas é através desses corpos que o Espírito imortal realiza todo o seu progresso, material e espiritual. Tudo aquilo que fazemos ao corpo físico, reflete-se do mesmo modo no corpo espiritual, sendo este igualmente imortal. Portanto, devemos ter todo respeito e cuidados possíveis com o nosso corpo de carne, pelo Cristo chamado de “templo do Espírito”, algo sagrado, digno de toda consideração e respeito.

Um outro aspecto não menos importante, é que esse “corpo espiritual” deverá “moldar” nosso próximo corpo de carnal. Assim, caso mutilemos, direta ou indiretamente, nosso atual corpo de carne, tenhamos a certeza de que renasceremos com as seqüelas dessa mutilação, pois o perispírito sofrerá inevitavelmente as repercussões dessa agressão, posto que está ligado ao corpo físico molécula a molécula.

O suicida (repetimos, direto e indireto), com certeza, além de sofrer as dolorosas conseqüências de seu impensado gesto de revolta diante das leis da vida no mundo espiritual, ainda renascerá com todas as seqüelas físicas daí decorrentes, e terá que enfrentar novamente a mesma situação-problema (necessária a seu progresso espiritual) que a sua falta de fé e confiança em Deus não lhe permitiu sair vitorioso.

O Espiritismo, ou Doutrina dos Espíritos, codificada pelo professor Hippólite Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) em meados do século IXX na França, possui ainda outros fortes argumentos contrários a essa trágica infração às leis do Criador. Vamos a eles.

Inicialmente, concordamos plenamente com a ciência quando afirma não haver problema sem solução. A própria dialética marxista afirma que “quando um problema aparece, já há condições de resolvê-lo”. O pessimismo, o desânimo, o desespero, além de nada resolverem, complicam ainda mais qualquer situação. Além disso, o nosso Mestre Maior nos assegurou que “o Pai não dá fardos mais pesados que os ombros” e “aquele que perseverar até o fim, será salvo”. O pensamento positivo e a psicologia transpessoal, hoje tão em moda, igualmente provam a veracidade dessas assertivas do Mestre.

É através da reencarnação – princípio milenar no oriente e hoje praticamente comprovado pela ciência acadêmica – conforme nos asseguraram os Espíritos superiores responsáveis pela terceira revelação de Deus aos homens, que podemos afirmar ser a vida verdadeiramente infinita, e que teremos tantas reencarnações quantas sejam necessárias ao nosso progresso espiritual, até que atinjamos o estágio de Espíritos puros, quando então reencarnaremos apenas na condição de missionários, responsáveis pela evolução de nossos irmãos retardatários, habitantes das “muitas moradas da casa do Pai”.

A solidariedade entre as duas dimensões da vida (a visível e a invisível, ou material e espiritual) é permanente. O apóstolo dos gentios já nos asseverou que “vivemos cercados por uma nuvem de testemunhas”, Espíritos amigos, protetores, guardiões,  avalistas de nosso progresso, bem como desafetos e inimigos do passado, próximo ou remoto, prontos a exercerem a cobrança de nossos débitos anteriores, desde que não estejamos vigilantes. Mais uma vez citamos a sabedoria do Mestre Jesus: “vigiai e orai para não cairdes em tentação”. O suicídio talvez seja a maior dessas tentações.

Jamais estamos abandonados. A assistência misericordiosa do Criador nos acompanha desde nossa partida do mundo espiritual, prossegue durante nossa estada na experiência carnal e, finalmente, nos acolhe quando de nosso retorno à verdadeira pátria. Estejamos, portanto, vigilantes, solidários, fraternos, aprendendo e servindo sempre, na certeza de que somos filhos da Luz e a Ela teremos inevitavelmente que voltar, tal como o “filho pródigo” da bela e profunda parábola do nosso Irmão Maior.

Como sugestão para um maior aprofundamento dos informes acima, sugerimos a leitura e meditação dos livros “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em especial do capítulo 5, e “O Céu e o Inferno”, ambos de Allan Kardec, além do monumental tratado sobre o assunto intitulado “Memórias de um Suicida”, de autoria do grande escritor português Camilo Castelo Branco, psicografado pela médium Ivonne do Amaral Pereira, todos encontráveis em qualquer livraria espírita ou espiritualista.

 

Raimundo Ramos é trabalhador do Centro Espírita Grão de Mostarda, e atualmente exerce a função de Diretor Doutrinário.

 

                      

 

                                

              

           

      

 

                                                                       

   

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